A estrutura da corrupção




Por Lucas Tomas
No Brasil temos muitas palavras para definir a corrupção e essa quantia parece ser maior em países que convivem com essa chaga social. A palavra corrupção em sua origem significa perversão ou suborno, mas dependendo do seu contexto não assume necessariamente uma conotação negativa. Porém na linguagem política ela sempre assume o tom negativo e historicamente representa o cidadão que não segue as regras ou leis vigentes em determinada localidade.  Mesmo alguns termos que atualmente são usados para descrever a corrupção, como a peita, nepotismo e o peculato, não tinham essa representação no passado recente: O termo peita era usada para descrever o pacto entre fidalgos e a plebe nos regimes monárquicos para garantir pagamento de tributos aos nobres; Nepotismo era usado na Igreja no período da Idade Média, onde os parentes mais próximos ao Papa tinham regalos sociais; Peculato remete inicialmente a troca de favores e nos dias de hoje significa favorecimento ilícito utilizando dinheiro publico.

Em nosso país associamos esse contexto à chamada Lei de Gérson, ou seja, agir com o intuito de sempre tirar vantagem na condição de poder, objetivando o beneficio próprio. Esse comportamento umbiguista se adéqua perfeitamente ao contexto capitalista, podendo ser considero um pré-requisito ou até fundamental para esse modelo econômico. Onde um dos primeiros exemplos dessa pratica é permitir aos capitalistas apropriar-se da Mais Valia gerada pela classe trabalhadora.

É obvio que a corrupção já existe antes do capitalismo, porém nesse modelo ela encontra condições ideais para ‘infectar’ a população de forma mais intensa. Com isso temos que compreende-la necessariamente no contexto da injustiça presente nesta sociedade de classes, pois é nesse ponto que se encontra à origem da desigualdade social, contrariando os ideais da democratização, justiça social e solidariedade na comunidade. É justamente por isso que ao longo de toda a história, a corrupção se torna maior nas sociedades com injustiça social. Ausência de ensino e educação da população também é um fator importante para esses índices, já que facilita privatizações de setores públicos e a sua industrialização, ocasionando em um abuso em beneficio das organizações privadas.

Não é apenas o governo que está sujeito à meliante corrupção, ela também está muito presente nos meios de comunicação, que deveriam ser transparentes e informar com senso crítico e imparcial os acontecimentos do cotidiano, pois é comprovado que os poucos governos que encorajam a mídia livre combatem a sua corrupção interna de forma mais eficiente. No Brasil observamos que os poucos casos delatados pela mídia, só chegam ao conhecimento da população em função de conflitos privados, podendo até ser usada como arma política durante períodos eleitorais, onde apresentam a população como sendo algo natural.

Com isso podemos dizer que não existe (e não existirá) dentro do capitalismo honestidade integral em toda a população. Tudo está relacionado ao abuso, injustiça, consumo leviano de matérias primas sempre em beneficio próprio. Cabe a cada cidadão melhorar e buscar essa melhora nos representantes públicos. Como diz um famoso texto de Tom Zé “Sei que não da para mudar o começo, mas se a gente quiser vai dar para mudar o final!”.