A sociedade perfeita – Da concepção filosófica ao Brasil de hoje





Por Lucas Tomas
Durante toda a evolução da humanidade, o crescimento econômico de uma determinada nação ou figura ditatória está ligado de alguma forma à falta de ética ou moral. Tanto é que ainda no século IV a.C. Platão indagou a necessidade de restauração desses “velhos” sentidos, que foram perdidos durante o crescimento de Atenas.

Ética e Moral? Sim, dois fatores relativamente simples que fazem muita diferença no âmbito social. Mas antes, precisamos defini-las: Ética, na concepção de Mário Cortella¹ é “Um conjunto de valores e princípios, que usamos para decidir três grandes questões da vida: quero, devo e posso”; por outro lado na visão Platônica, ninguém é ético porque deseja, mas por temer um “castigo”, pois se o indivíduo em questão estiver certo da impunidade, não hesitará nas práticas errôneas. Em sua definição, não existe ninguém sem Ética, existem pessoas que praticam uma Ética contrária ao senso comum, também chamado de antiéticos.

O princípio ético se traduz na aplicação da Moral. Portanto, Moral é a Ética colocada em prática analisando as questões: decidir, julgar e avaliar. Quando um cidadão é incapaz de fazê-lo é considerado amoral, geralmente atribuídos a crianças ou pessoas com alguma patologia cerebral. A concepção de Moral é relativa, dependendo de vários fatores, tais como: período histórico, contexto social e até mesmo o ponto de vista do observador, podendo ter aplicações diferentes levando em conta as circunstâncias em questão.

No contexto histórico Brasileiro, pode ser questionada a carência de uma postura ética estável, na qual a virtude da busca de um bem comum levando em conta a felicidade da população nunca esteve na pauta principal dos governantes. Podemos apontar que desde o descobrimento do Brasil pelos portugueses essas terras sempre foram alvo de exploração financeira, figurando apenas como uma ferramenta de enriquecimento, sem qualquer preocupação em seguir regras Éticas e Morais.

Trazendo a realidade do passado para os dias atuais, observamos muitas pessoas refletindo sobre as questões que regem as doutrinas brasileiras, procurando uma explicação para tantos erros que estão presentes em nosso cotidiano. As respostas podem estar dentro de nós, pois criticamos as mesmas atitudes que praticamos. Vemos que a população não se sente satisfeita com as práticas honestas, pois os objetivos gerais entornam poderes e desejos insaciáveis.

A corrupção que observamos ha tanto tempo nos faz perder a esperança nas instituições que nos regem, tornando a democracia brasileira em algo vago e cínico, resultando numa sociedade adoentada, sem esboçar qualquer reação na tentativa de escapar de uma política em coma, pois mantemos o costume de rir das situações que deveriam nos envergonhar!

Tornou-se natural, aqueles que se dizem representantes da nação chegar ao poder com o intuito único de desviar verbas, as mesmas que deveriam melhorar as condições de vida do povo. Entretanto, servem apenas para fortalecer a imagem e melhorar as condições de vida desses inglórios.

Os grandes especialistas no assunto defendem uma reação à melhora, porém só devem ser sentidas a longo prazo, no qual a principal ferramenta para transformar essa realidade é a educação. Porém, não adianta tornar um modelo a escola brasileira se o perfil dos alunos continuar o mesmo. Podemos constatar que alunos brasileiros não sabem estudar, como tratei em outra matéria (clique aqui para ler), ”os alunos pensam mais em se formar e ter o seu diploma, sem se preocupar em absorver o conhecimento, fazem apenas o suficiente para serem aprovados achando ruim quando um professor exige um pouco mais de raciocínio do seu pouco utilizado cérebro”.

Quando esse perfil de aluno chega ao tortuoso e injusto mercado de trabalho, leva esses mesmos princípios utilizados em sua formação acadêmica para suas funções corporativas, transformando a falta de ética e moral em um ciclo interminável. A preocupação que devemos ter é conseguir inserir princípios éticos e morais em pessoas que já têm seus valores formados, para podermos solucionar essa questão “cultural”.

Essas questões antiéticas trazem à tona outros fatores, como a descrença internacional em relação ao Brasil, onde somos conhecidos apenas pelo carnaval, futebol e corrupção. Para mudarmos essa concepção é primordial que os cidadãos defendam e exijam um bom destino para os recursos públicos, pois pertencem a todos, e a todos devem servir.

É de extrema importância que façamos uma reflexão sobre os problemas que nos cercam, buscando soluções e demonstrando reação, assim como afirmou o presidente norte-americano J. F. Kennedy². Vamos nos unir em busca de um ideal comum, quebrando paradigmas, dando valor às pessoas e não aos produtos e serviços. Pois quando valorizamos o ser humano, questões como dinheiro e poder perdem sua importância, assim, deixamos de ser uma sociedade individualista formando uma nação “De um povo heróico o brado retumbante”.

¹CORTELLA, Mario Sergio . O Espaço da Ética na Relação Indivíduo e Sociedade (1a. Edição 1996). In: Dilséa Adeodata Bonetti; Marlise Vinagre Silva; Mione Apolinario Sales; Valéria M. M. Gonelli. (Org.). Serviço Social e Ética (Convite a uma nova práxis). 12a ed. São Paulo: Cortez, 2011, v., p. 49-59.

²Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”.