Sustentabilidade? Não! Apenas marketing!




Por Lucas Tomas
Fonte: Story of Stuff
Em nosso cotidiano a palavra Sustentabilidade é amplamente utilizada por diversas organizações – economia, engenharia, administração publica e privada – mas o que define uma empresa como sustentável? Muitos acreditam que é apenas garantir a preservação e qualidade da água, do solo e do ar, visando deixar um mundo ‘sadio’ para as gerações futuras. Pois bem, essas atitudes são fundamentais, porém não é apenas isso que forma o conceito sustentável. Para ser mais coeso, podemos dizer que é necessário haver uma correlação integrando as atividades citadas anteriormente com aspectos sociais e culturais.

Sendo mais especifico, esse conceito passou a ser formulado a partir do momento que foi identificado que nosso planeta já não consegue se recuperar para manter o nível de consumo tão elevado que ocorre no mundo. Da extração à produção, passando pela distribuição e consumo, todos os recursos comercializados exigem muito da ‘vida útil’ de nosso planeta.

Ao analisarmos grande parte das corporações atuais, vemos empresas grandiosas, com excelente organização, maximização de lucros, valores e visões servindo de exemplo. Porém ao passar pela porta dos fundos, o que acontece é totalmente diferente... Conceitos sustentáveis de fachada, desrespeito social e geração incontrolável de externalidades negativas. A verdade é que vivemos em um sistema em crise, onde um planeta com recursos escassos e finitos não comporta o modelo econômico atual.

Estamos destruindo nossos recursos de forma muito rápida, ou seja, usando coisas demais. Dados indicam que nos últimos 30 anos 1/3 dos recursos naturais desapareceram, 80% das florestas originais não existem, 40% da água doce não é mais potável e nesse ritmo de consumo precisaríamos de 3 planetas iguais ao nosso para satisfazer as necessidades (necessidades?) da população.

Nesse momento podemos questionar, quem paga quando consumimos determinado produto? Eu? Você? Quem paga são todos os seres vivos e o próprio planeta, onde perdemos recursos naturais; vemos um aumento do índice de doenças causadas pela poluição no ar, água ou comida; crianças que perdem o seu futuro ao ter que deixar de estudar para trabalhar. A real sustentabilidade deveria combater tudo isso, pois são essas as externalidades que geram os reais custos de produção. Portanto quando vemos uma campanha na televisão que empresa x ou y tomam medidas sustentáveis, podemos dizer que é apenas um golpe/apelo de marketing. E digo isso, porque ser realmente sustentável não é viável para o mundo extremo-capitalista que vivemos.

Hoje as pessoas consomem cerca de duas vezes mais que nos anos 60, onde cuidar e preservar os bens eram fundamentais, então para aumentar os lucros, as empresas estimularam as pessoas a consumir de forma descontrolada, mas como fazê-lo? Ao final da segunda grande guerra, o mundo procurava um método de estimular a economia, nesse momento um principio descrito pelo analista Victor Lebow mudou o rumo de todos, ele afirmou “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”. A partir daí, essa virou a missão das empresas e governo, que deixaram de lado a qualidade de vida, saúde e educação, passando a pensar apenas em consumo!

A arma utilizada para convencer a população de que esse estilo de vida é mais adequado, foi o planejamento da obsolescência em curto prazo. Onde mesmo produtos em boa qualidade deixam de ser interessante para os consumidores, assim passando a comprar outro similar.

Agora percebemos que Sustentabilidade é muito mais complexo do que as poucas ações que vemos na mídia, tornando essa pratica apenas mais uma arma que as companhias utilizam para vender cada vez mais, tudo para manter o ciclo desumano do capitalismo ativo!