Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 2



Por Lucas Tomas

O conflito na escolha
Um dos grandes mitos na geração de valor é o antagonismo entre os praticas empresariais e as sociais. Grande parcela das empresas acredita que atitudes de geração de valor colocam em risco a lucratividade, não legitimando o pensamento social, resultando em apenas cumprimento de cotas e práticas estabelecidas por governos e órgãos reguladores.

Outro conceito desprezado é a noção de geração de externalidades. As empresas acreditam que no momento que suas influências negativas deixam os limites da organização, param de alterar seu ambiente interno, mas não é bem assim. Um exemplo: Despejar resíduos de sua cadeia produtiva no meio ambiente, talvez realmente corte custos com a filtragem desse material. Mas por outro lado pode contaminar a região de suas instalações, podendo causar prejuízos na saúde dos próprios funcionários da empresa. Ou seja, o gasto economizado no tratamento pré-despejo dos resíduos, retorna para em forma de passivos trabalhistas.

Esse pensamento primitivo ainda molda as estratégias empresariais, que excluem dos seus valores a preocupação com o ambiente externo. Deflagrando a falta de respeito e inconseqüência com o futuro não só da própria organização, mas com todo o sistema. As soluções para essa falta de cultura foi entregue aos governos e ONGs, através de programas de responsabilidade social. Por outro lado, qualquer movimento que busque alterar o modo de agir das empresas é considerado desperdício dos lucros acionários, tornando esse um grande trade-off, pois cada lado assume que o outro é obstáculo para suas metas.

O principio de geração do Valor Compartilhado, entende que não são apenas as necessidades econômicas que definem no mercado sua forma de agir. Acredita que as deficiências sociais, na maior parte das vezes criam custos internos para a empresa, os mesmo custos que poderiam ser aproveitados na geração de passivos positivos. Evitar externalidades é o primeiro passo para enfrentar as mazelas que as corporações deixam, e diversos estudos apontam que praticas de geração de Valor não elevam os custos operacionais, pois esta pode inovar com novas tecnologias, métodos de gestão mais eficiente, aprimorar seus processos internos, e, como resultado obtêm amento na produtividade e expansão de mercado.

Portanto, o Valor Compartilhado não está diretamente relacionado aos valores pessoais, nem na divisão dos valores já gerados pelas empresas. Essa teoria se concentra em aprimorar as técnicas boas, e fortalecer o desenvolvimento de clusters locais, a fim de melhorar a eficiência marginal, assim aumentando o rendimento, qualidade e sustentabilidade nas empresas.

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Referência:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>